Google, Amazon.com, Apple, Zara e Nestlé são as cinco marcas mais valorizadas neste ano magro para bancos e montadoras.
A 9a. edição do Estudo Interbrand das Melhores Marcas Globais – Best Global Brands 2009 – reflete o comportamento negativo de diversas marcas neste último ano. Pela primeira vez, o valor total das 100 maiores marcas globais em 2009 caiu 4,6%, indo para US$ 1,15 trilhão. O total registrado no ano de 2008 foi de US$ 1,21 trilhão. Essa é uma queda considerada significativa, pois nas últimas edições do estudo o volume total apresentava crescimento médio de 5% ao ano. Sete marcas saÃram da lista, entre elas o banco Merrill Lynch e seguradora AIG.
As cinco marcas que mais perderam valor são: UBS (-50%), Citi (-49%), American Express (-32%), Morgan Stanley (-26%) e Harley-Davidson (-43%). Quatro delas fazem parte do setor financeiro, que teve a queda mais significativa em valor de marca entre as 100 empresas listadas. O valor das marcas de bancos despencou de US$ 130.358 bilhões em 2008 para
US$ 78.829 bilhões em 2009 – queda equivalente a 40%.
Também foram abalados pela crise do crédito internacional os setores de transportes (-27%) e automobilÃstico (-9%). Para a UPS, que integra o setor de transportes, a queda no valor de marca foi de 8% no último ano, o que reflete a retração no comércio e o aumento de barreiras regulatórias entre os paÃses.
Todas as marcas de carro integrantes do estudo BGB 2009 perderam valor no ano. A exceção é a Ferrari, que manteve o valor da marca, mas é considerada artigo de luxo. Por outro lado, sua concorrente Porsche, que também integra o setor de luxo, perdeu valor de marca esse ano. Um possÃvel motivo para essa queda foi a decisão de inovar fora do seu “core businessâ€, com o lançamento de modelos SUVs, que sofreram com a turbulência do mercado. Houve um forte impacto sobre os fabricantes, que deixaram acumular nos pátios das montadoras o que se pode chamar de modelos ‘ultrapassados’. O consumidor quer cada vez mais carros menores
e mais eficientes, movidos a bicombustÃvel.
“Cada marca é única. E essas diferenças se tornaram particularmente claras nesse ano. Apesar da crise, enquanto a maioria das marcas se debatia, algumas ampliaram seus negócios, e, consequentemente, seu valor.
As cinco marcas que mais ganharam valor, crescendo dois dÃgitos foram: Google (+25%), Amazon.com (+22%), Zara (+14%), Nestlé (+13%) e Apple (+12%). A Coca-Cola está fora deste grupo destaca-se por se manter invicta, há uma década, como a lÃder do ranking.
Nessa década, dedicada aos estudos das marcas e de seu valor, a Interbrand desenvolveu uma classificação das marcas em 4 grandes grupos. São eles:
a) Inovadores de baixo custo, como H&M e Hyundai, que conseguem entregar mais por menos;
b) Marcas com pensamento de lÃder como Apple, BMW, Zara ou Google. São extremamente focadas, e quase obsessivas, na inovação do seu core business;
c) As retardatárias, mais expostas ao risco, que já foram lÃderes mas agora enfrentam o desafio de renovar seu modelo de negócio pra sobreviver. Entre elas estão Citi, Gap, GM, Yahoo! e Dell;
d) Por fim, as marcas-referência da indústria, os Ãcones em suas categorias, como Microsoft, Intel, Coca-Cola, Ford, HP, Toyota. São lÃderes porque investem, inovam e têm consistência de performance.
A crise mudou as regras do jogo. Confiança, uma obviedade quando o assunto é marca, tornou-se crucial. Os bancos, antes escolhidos pela melhor localização e pelas taxas mais atraentes, são o principal exemplo de que a confiança passou a ser fundamental.
Neste novo modelo de relacionamento que está sendo forjado entre consumidores e empresas, intimidade é a palavra-chave. As marcas mais inovadoras estão chegando cada vez mais perto da vida de seus consumidores através de redes sociais, blogs e outras formas de comunicação que quebram o conceito da privacidade e são mais refinados que o telemarketing. Na era digital, além de não haver barreiras fÃsicas, há menos passividade em relação à informação. Entre os exemplos, está a Coca-Cola que tem mais de 3,5 milhões de fãs no Facebook. Ou o caso de um consumidor qualquer do carro verde da Toyota, o Prius, que pode requisitar, além das especificações do modelo que deseja comprar, o mesmo desconto que um parente teve e divulgou no Facebook.
As cinco marcas que mais perderam valor:
UBS – (72ª. posição – US$ 4,3 bilhões: -50%) - o banco suÃço sofreu ataques em todas as frentes, com uma performance financeira ruim e acusações dos Estados Unidos de que ajudava clientes a fraudar o fisco. Perdeu funcionários importantes para a concorrência e a confiança na sua marca nunca esteve tão baixa. Caiu 31 posições no ranking.
Citi – (36ª. posição – US$ 10,25 bilhões: -49%) - o Citigroup recebeu um auxÃlio de US$ 45 bilhões do governo americano para não afundar. Não mais considerado um lÃder nos serviços financeiros, o Citi opera em modo de sobrevivência, vendendo muitos negócios num esforço de focar nas suas competências básicas.
American Express –(22ª. posição – US$14,97 bilhões: -32%) - a empresa está investindo alto em propaganda e patrocÃnios para tentar manter seu status de marca Ãcone, que sofreu bastante com a crise de crédito.
Morgan Stanley – (57ª. posição – US$ 6,39 bilhões: -26%) - a crise financeira atingiu a reputação da sua marca, e agora a empresa tenta reformular sua estratégia buscando uma joint venture com o SmithBarney.
Harley-Davidson – (73ª. posição – US$ 4,33 bilhões: -43%) - o Ãcone da aventura em duas rodas perdeu valor porque suas vendas são bastante dependentes do mercado norte-americano, cuja queda representou 13% no ano anterior. Mas a empresa, fundada há 105 anos na cidade de Milwaukee, nos Estados Unidos, tem planos para reagir à crise com o lançamento de uma bike para atrair os jovens – também futuros consumidores de motos Harley-Davidson – além de planejar o lançamento do modelo Iron 883 em janeiro, com preço mais acessÃvel.
As cinco marcas que mais ganharam valor:
Google – (7ª. posição - US$ 31,98 bilhões: +25%) - a diversificação contÃnua dos negócios da Google como novos modelos de publicidade gerou crescimento. O mote desses negócios é preço baixo, alta funcionalidade e transparência. A marca lançou um browser, o Google Chrome, e em setembro de 2008, o Android, um sistema operacional de celulares cujos códigos são abertos a engenheiros do mundo todo.
Amazon.com – (43ª. posição – US$7,85 bilhões: +22%) - a loja de departamentos online está se beneficiando da estratégia de não ter lojas fÃsicas numa época de recessão. Analistas avaliam que a crise está beneficiando a Amazon.com ao fragilizar ou liquidar alguns importantes concorrentes. O lançamento do Kindle, o equipamento que pretende substituir o livro, contribuiu para sua ascensão. A Amazon.com também vai começar a vender livros eletrônicos que podem ser lidos no iPhone e no iPod Touch. A empresa também está de olho na sustentabilidade e atualmente envolve-se num esforço, com grandes empresas, para reduzir as embalagens.
Zara – (50ª. posição – US$ 6,78 bilhões: +14%) - o faturamento da rede de confecção espanhola continua a crescer apesar da crise. Ao contrário de seus competidores, a Zara não tem problemas com o ciclo de vida dos produtos porque trabalha com uma renovação de produtos extremamente eficiente. Seu sistema de logÃstica inovador permite que ela leve um produto das pranchetas de desenho à s prateleiras meses antes que seus competidores. O enigma da Zara é que ela não é uma grande investidora em publicidade, mas constrói por meio do boca a boca uma percepção de que vende a última moda por um preço acessÃvel.
Nestlé – (58ª. posição – US$ 6,31 bilhões: +13%) - um dos maiores anunciantes do mundo, a multinacional suÃça é lÃder em qualidade e segurança alimentar. Ela continua a crescer, mantendo o foco no desenvolvimento global. Recentemente, abriu na China um centro de pesquisa e desenvolvimento focado em saúde.
Apple –(20ª. posição – US$ 15,43 bilhões: +12%) - a recessão não machucou a Apple. As vendas menores do Mac e os temores do futuro da empresa sem Steve Jobs foram compensados por vendas recordes do iPod e do iPod Touch, além do maior market share da história do sistema operacional Mac OS. A empresa também procura ganhar clientela entre os consumidores mais preocupados com preço por meio do lançamento do novo – e barato – iPod Shuffle, e do iPhone de US$ 99.








