COMÉRCIO - VAREJO DO LUXO

atualizado em JAN/2010

EVOLUÇÃO DO VAREJO DE LUXO - DADOS 2008

 

SETOR DE VAREJO

 

Em consulta a 295 empresas do setor de luxo, a constatação é a de que, apesar da crise, a previsão é de que o mercado cresça 8% em 2009, para US$ 6,45 bilhões - contra 17% em 2007 e 12,5% em 2008.

De acordo com o estudo, 46% das empresas decidiram revisar para baixo a previsão de faturamento para 2009; 32% mantiveram as expectativas e só 22% acham que vão se dar melhor em 2009. O levantamento aponta ainda que, quando se fala em luxo, a primeira marca nacional que vem à cabeça de 22% dos consumidores é Daslu (embora só 8% a definam como “desejada”), seguida por H.Stern (14%), Forum, Victor Hugo, Osklen (todas com 4%) e Fasano (3%).

Estas empresas são dos segmentos de moda, automóveis, jóias, perfumes, cosméticos, hotelaria, comida e bebida;  faturaram, juntas, US$ 5,99 bilhões em 2008, pagaram um salário médio de R$ 2.667 a seus trabalhadores –e têm clientes que gastaram, em cada visita a uma loja, uma média de R$ 3.454.

Fonte: Pesquisa “O Mercado do Luxo no Brasil”,  MCF Consultoria e da GFK Brasil.

 

OS PLAYERS DO VAREJO DE LUXO DE SÃO PAULO

 

Em São Paulo, que concentra 70% do setor de luxo brasileiro, o varejo possui 4 grandes competidores: os tradicionais Shopping Iguatemi e Rua Oscar Freire - o mais novo, Shopping Cidade Jardim, inaugurado em 2008 – e a  Daslu, tradicional que virou nova (Villa Daslu), saiu do tranqüilo bairro de Vila Nova Conceição e apareceu demais – na imprensa e em sua nova loja na Vila Olímpia, e passa por crises e sucessivos escândalos fiscais, desde então. Inaugurou também uma loja no Shopping Cidade Jardim.

A existência desses quatro templos é uma demonstração do crescimento do setor do luxo no País, mas embora o potencial de crescimento seja enorme, a disputa entre eles promete ser acirrada.  O shopping Iguatemi, da família Jereissati, já tenta coibir as grifes que estão em seu shopping de abrirem filiais no Cidade Jardim.

O Iguatemi é o shopping mais antigo do Brasil, surgiu em 1966, desde então passa continuamente por ampliações e modernizações, entre seus pontos fortes estão a localização, na Av. Brigadeiro Faria Lima; e as marcas  Tiffany & Co., Louis Vuitton, Salvatore Ferragamo, Ermenegildo Zegna e Dolce&Gabbana. Entre as limitações do Iguatemi estão as de ordem estrutural – não comporta mais grandes ampliações, para receber novas marcas; e ao mesmo tempo convive com lojas de departamento com perfil popular, como Americanas e C&A.

O Cidade Jardim foi planejado para ser um templo do luxo, e ainda tem como estratégia ser um centro residencial aliado às compras. O projeto completo contempla um complexo imobiliário com três torres comerciais e nove residenciais, com apartamentos cotados entre R$ 2 milhões e R$ 4 milhões cada um.  

A disputa entre o varejo de luxo já se estende ao território das ações. As ações da JHSF na bolsa de valores foram as únicas do setor de construção civil a registrar alta nos preços em 2008: 13,5%, ante uma queda média de 40% registrada no setor. O grupo Iguatemi, por outro lado, encontra-se em situação oposta. As ações da companhia caíram 33% nos últimos oito meses, um dos piores desempenhos entre as administradoras de shopping centers do país. Além dos resultados apresentados no último trimestre (o lucro líquido caiu 29% em relação ao mesmo período do ano passado), os papéis do Iguatemi refletem a indefinição que se formou em torno de seu mais recente empreendimento: o shopping JK, centro de compras localizado na marginal Pinheiros, em São Paulo, no terreno vizinho à opulenta sede da Daslu no bairro de Vila Olímpia e a apenas 2 quilômetros do próprio Iguatemi. Concebido como uma resposta ao Cidade Jardim, o projeto prevê a construção de um shopping de alto padrão num complexo formado por duas torres comerciais de aproximadamente 30 andares cada uma. No entanto, passado mais de um ano desde o anúncio do projeto, o grupo Iguatemi ainda não fechou o portfólio de lojas do novo shopping. Muitas grifes presentes no Cidade Jardim, na Daslu e no próprio Iguatemi estariam receosas de abrir mais uma loja em regiões tão próximas e, com isso, comprometer a lucratividade dos pontos já existentes.

 

PONTO

CARACTERÍSTICAS

No. de lojas

Faturamento m2

Visitantes/dia

Lojas exclusivas

Investidores

 

Cidade Jardim

 

120

 

R$ 3.300

 

30.000

Rolex, Daslu, Montblanc, Louis Vuitton, Tiffany & Co., Chanel, Ermenegildo Zegna, Salvatore Ferragamo, Gante, H.Stern, Giorgio Armani e Hermès

 

JHSF, família Auriemo, tradicional em construção de imóveis de luxo

 

Iguatemi SP

 

330

 

R$ 2.200

 

48.000

Gucci, Louis Vuitton, Salvatore Ferragamo, Ermenegildo Zegna, Bulgari, Burberry, Diesel, Bvlgari, Tiffany & Co e Dolce&Gabbana

Grupo La Fonte, uma das maiores empresas de administração de Shoppings do País.

 

Villa Daslu

 

 

—–

 

 

R$ 3.350

 

 

—–

 

Chanel, Prada, Gucci, Goyard, Pucci, Tom Ford

Antônio Piva de Albuquerque e

Eliana Tranchesi, responsável pela criação da marca ícone do setor de luxo brasileiro

Oscar Freire

 

—–

 

R$ 4.200

 

—–

Cartier, Dior, Gant, Armani, H.Stern, Louis Vuitton, Montblanc, Versace e Salvatore Ferragamo

 

—–

 

Fonte: Exame, 2008.